Elevador do Fórum de Cambé é interditado

Juiz acatou argumento do Ministério Público de que equipamento, instalado há dois anos, coloca em risco a vida dos usuários

O elevador do prédio do Fórum de Cambe, no Norte do Paraná, foi interditado nesta segunda-feira (18) por ordem judicial. Uma liminar expedida pelo juiz Mateus Orlandi Mendes determinou que o elevador fique sem ser utilizado até que o governo do Estado adeque o equipamento às normas da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT).

“O elevador foi instalado em total desacordo com estas normas e, de acordo com perícia do Corpo de Bombeiros, oferecia risco à segurança dos usuários”, afirmou o promotor da Vara de Justiça da Criança e da Juventude, Leonildo Grota. No domingo, um elevador caiu no Hospital do Rim (Urolit), em Londrina, deixando três mulheres feridas.

O laudo que vai apontar as causas da queda do elevador em Londrina ficará pronto em dois meses

Desde a instalação do elevador do Fórum de Cambé, há dois anos, para atender portadores de necessidades especiais e idosos, o equipamento nunca funcionou adequadamente. Em função dos transtornos, a promotora Adriana Lino ajuizou ação contra o governo do Estado. “O Estado tem 60 dias para adequar o equipamento às normas da ABNT ou fazer sua substituição”, afirmou Grota.

De acordo com o laudo de perícia do Corpo de Bombeiros, entre os problemas apresentados no elevador estavam: defeito no sistema de trava de segurança das portas do piso superior, oferecendo risco de queda às pessoas; ausência de sistema de ventilação, com risco de asfixia aos usuários; ausência de informação sobre a capacidade do equipamento quanto ao número de pessoas e peso; ausência de sistema de proteção e reabertura das portas.

O Conselho Regional de Engenharia e Arquitetura (Crea) é a entidade responsável por fiscalizar e garantir a manutenção dos elevadores - seja ela realizada por empresas especializadas ou pelos fabricantes. O gerente regional da entidade em Londrina, engenheiro Jefferson Oliveira da Cruz, faz um alerta: “Ao contratar a empresa, deve-se exigir que esta apresente seu registro junto ao Crea. Sem este documento, a empresa não está habilitada para atuar na área”. Em Londrina, sete empresas estão credenciadas pelo conselho para fazer manutenção de elevadores.

Para conseguir o registro é preciso que a empresa apresente um engenheiro mecânico como responsável técnico. Os prédios que têm uma empresa especializada fazendo a manutenção do equipamento precisam ter a Anotação de Responsabilidade Técnica (ART) afixada em sua portaria. “Quando o prédio não possui a ART é dado um prazo de 10 dias para que contratem a empresa habilitada pelo Crea, sob risco de autuação”, afirma Cruz.

De acordo com o engenheiro, hoje em Londrina são raros os prédios que não cumprem com essa exigência. No ano passado, segundo ele, foram fiscalizados 478 edifícios, menos de 5% não possuíam a ART. O prédio da Urolit – Hospital do Rim – cujo elevador caiu no domingo, possui ART, de acordo com o Crea.


Manutenção deve ser mensal

O engenheiro mecânico e conselheiro do Crea, Pedro Maia Filho, explica que o correto é a manutenção dos elevadores ser realizada mensalmente. “São avaliados cabos de aço, motor, dispositivos de segurança, sistema de freios, entre outros”, explica. Segundo Maia, a ruptura de cabo de aços vai depender do tempo de uso. “Um cabo de aço tem durabilidade de 15 a 20 anos, dependendo do uso e da manutenção que é feita”, afirma.


Vítimas da queda do elevador ainda estão internadas

As três mulheres vítimas da queda do elevador do Hospital do Rim (Urolit), no domingo, ainda estão hospitalizadas e em observação no Hospital Evangélico (HE). Uma delas, Judite Santos Fontolan Bossa, 46 anos, quebrou os dois tornozelos e ainda teve fratura na região lombar. Giselle Fontolan Marques, 35 anos, quebrou a perna esquerda e Mirele Fontolan Bossa, 33 anos, sofreu um trauma abdominal. Elas haviam ido ao Urolit para fazer uma visita a um familiar.

Reprodução RPC TV