O desabamento da igreja

 Em Artigos Técnicos

A gama de variáveis nos materiais de construção é infinita, porém, considerando a média não há diferença entre os componentes empregados na Igreja Renascer em São Paulo, onde ocorreu a tragédia de desabamento em janeiro último, e o seu prédio.

É praticamente o mesmo fabricante de tijolo, de cimento, é o mesmo fornecedor de areia. A diferença está na aplicação, ou melhor, no uso empregado pelo executor, está na responsabilidade do fiscalizador, está no comprometimento do usuário, está em todos.

Quando ocorre um sinistro se busca o culpado… Mas será de quem projetou ou mesmo executou, imputar ou apontar-lhes o respectivo quinhão, e de quem financiou, aprovou, liberou, não cabe uma co-responsabilidade ? E as ínfimas atribuições do dia a dia no pós-uso ?
Se houvesse uma vistoria preventiva com olhar técnico e seletivo, não apenas habilitado e sim, empenhado na capacitação, na ética, no  bom senso …. no respeito ao próximo.

O Brasil, Mestrado de outrora, torna-se Doutor em Leis, porém o que é necessário diz respeito a serenidade e o despojamento da cultura da esperteza, aquela do levar vantagem em tudo e buscar a eficiência, a competência.

De nada adianta atribuir culpa, ao proprietário, ao inquilino, ao sindico, a construtora, ao arquiteto, ao engenheiro, todos temos nossa fatia no bolo.

Como já se falou existem dois brasis. O Brasil dos pocotós e o outro. Nós precisamos fazer esta escolha, é o nosso livre arbítrio, não depender de apadrinhamento, e sim de atitudes.

Se houvesse uma inspeção predial responsável e sistemática, não se pouparia somente o Bem avariado, mas vidas e isto não têm preço.

Um estudioso chamado Sitter criou uma relação entre o investimento para se manter, e recuperar uma instalação ou um sistema  contra a execução de vários tipos de manutenção e com isto comprovamos  que o custo de intervenção aumenta de forma drástica na medida em que tratamos a instalação com menor cuidado, espaçando as manutenções o custo é maior.

Intervenções

A inspeção predial com responsabilidade determinaria a necessidade de uma intervenção, pois haveria um monitoramento da cobertura que deu sinais e não tinha nenhum profissional habilitado para identificá-los.
Resta a tristeza das vidas perdidas e o alerta para a prevenção e mais, permitir desentranhar a atitude de Pôncio Pilatos.

Vera Lucia de Campos Corrêa Shebalj

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